Historial



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Vale de Prazeres



Mapa continental

Freguesia do concelho e comarca do Fundão, distrito de Castelo Branco, diocese da Guarda, relação de Coimbra. Orago: São Bartolomeu. Uma população de cerca de 3000 pessoas e 1434 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais; dista 10 km da sede de concelho, tem uma área de 4.040 hectares e é servida por uma estação com o mesmo nome na linha férrea da Beira-Baixa. Tem serviço de correio, em sintonia com a estação postal do Fundão, escola primaria, jardim de infância, Centro de Dia e extensão do centro de saúde do Fundão.

Na área desta freguesia foram exploradas, em tempo, duas minas de Volfrâmio e Estanho, denominadas “Vale das Pinhas” e “Rapoula”.

Desde os Séc.XII e XIII não existiu qualquer indicação sobre o actual nome da povoação ou com outros diferentes do actual nome Vale de Prazeres. Em todo o caso não pode duvidar-se de que aqui existiu população em épocas pré-históricas (basta os fortificados castrejos das montanhas vizinhas, como o castrejo da “Covilhã Velha”) e também nos primórdios da nacionalidade, apesar do estado de acentuado despovoamento. A formação da povoação dos nossos dias, que chegou a atingir notável desenvolvimento, pelos menos populacionalmente (facto observado paralelamente por toda a freguesia), deve atribuir-se, em origem, ao século XIII, após o repovoamento de Alpreada, com a carta municipal de 1202. A própria toponímia não fornece em geral qualquer indicação manifestada anteriormente: ao contrário, os raros topónimos expressivos aludem quase totalmente ao repovoamento medieval, como sejam Póvoa da Palhaça, em que “povoa” (antigamente “pobra”) indica esse repovoamento (e “palhaça”, derivado medieval de “palha”, deixa ver que as casas desta “pobra” foram, primeiro, colmadas, como aliás convinha ao clima, isto é, casas “palhaças”_ ou até, de início, “Pobre Palhada” , a que depois se juntou “da” por qualquer motivo); e as muitas Quintas (com elementos topónimos por vezes muito antigos e até expressivos, como Quinta da Rapoula, talvez topográfica, de “rapa”; Quinta da Torre, alusivo a alguma morada senhorial, bem presumível; Quinta do Vale Velho; Quinta da Torgalha, derivado de “Torga”, etc.), as quais se diziam, na alta Idade Média nacional, Quintãas, de “Quintãs”, propriedade rústica burguesa, presumivelmente de cavaleiros-vilãos, pois esta classe popular era a principal no termo de Alpreada, a que muito de perto pertenceu o território hoje de Vale de Prazeres.

O elemento toponímico PRAZERES parece bem não ser o primitivo, pelo seu ar de relativo modernismo ou inovação, apesar de já usado do século XVII para o XVIII, pelos menos, a alteração do elemento toponímico primitivo para Prazeres, por certo querendo significar a beleza ou o aprazível do local. Crê-se que o topónimo inicial possa ter sido Vale do Freixo, que aparece citado no foral de Alpreada nas imediações de Vale de Prazeres ao que parece, se não neste próprio local. É o que se infere dos limites dados por aquele foral de 1202, que parece quererem mostrar uma correspondência de Vale de Freixo, mais ou menos, a Vale de Prazeres; deste modo pode-se dizer que a freguesia de Vale de Prazeres tivesse sido do Concelho de Alpedrinha, até à eliminação da mesma em 24 de Outubro de 1855.

A Paroquia de Vale de Prazeres, apesar de se exercer aqui o culto de São Bartolomeu desde o século XIII, em ermida própria, faria parte da paroquia medieval de São Pedro da Aldeia de Alcaide, hoje só Alcaide, por isso, e por ser sua filial (depois do século XV ), o prior do Alcaide apresentava ainda nos últimos tempos dos padroados* cura na Igreja de São Bartolomeu de Vale de Prazeres, com 8 mil réis de côngrua e o “pé-de-altar”.

Esta freguesia compreende os seguintes lugares: Cortiçada, Catrão, Povoa da Palhaça, Quinta da Castanheira, Quinta da Feijoeira, Quinta da Rapoula, Quinta da Torgalha, Quinta da Torre, Quinta do Monte Leal, Quinta do Monte Valente , Quinta do Vale Velho e Quinta do Capitãosinho, Vale de àgua e Vale de Prazeres.

* O Padroado foi criado através de um tratado entre a Igreja Católica e os Reinos de Portugal e de Espanha. A Igreja delegava aos monarcas destes reinos ibéricos a administração e organização da Igreja Católica em seus domínios. O rei mandava construir igrejas, nomeava os padres e os bispos, sendo estes depois aprovados pelo Papa.

Bibliografia:
“Grande enciclopédia Portuguesa e Brasileira” Vol. XXXIII p.811-812
“Dicionário Enciclopédico das Freguesias”