Prós e Contras

ENERGIA EÓLICA

As energias alternativas estão na ordem do dia, parece que o mundo tomou consciência que tinha que mudar o rumo das coisas, pois o aquecimento global deixou de ser um tema tabu.

Neste contexto surge a discussão em torno dos parques eólicos que estão a crescer um pouco por todo o país, sendo que a nossa freguesia poderá ser o próximo local.

Realidade ou Ficção ?

 

Muito se tem dito em relação a este assunto, uns a favor outros contra. Tem surgido todo o tipo de comentários, e basta uma simples busca pela internet para podermos encontrar várias e diversas opiniões.

Uma coisa é certa, o nosso actual modo de vida leva a um crescente consumo de energia e já ultrapassamos a quota de emissão de gases para a atmosfera. As torres eólicas, para muitos, provocam um impacte (em termos ambientais denomina-se “impacte ambiental”) visual negativo nas zonas onde são implantadas mas, por exemplo, o que devemos então dizer acerca da poluição proveniente de uma central termoeléctrica?

Se queremos continuar com o nosso modo de vida temos de equacionar todas as hipóteses e escolher as menos prejudiciais e com menos impactes negativos. Muito foi feito nesse sentido e muito será ainda descoberto, pois assim podemos concluir pelos avanços feitos todos dias no mundo científico. Um bom exemplo disso é o descrito numa notícia publicada na revista AUTOHOJE Nº512:

MITO: Os parques eólicos não ajudarão a combater as alterações climáticas abruptas.

FACTO: A energia eólica é uma fonte limpa e renovável de energia, que não produz nenhuma emissão de gás de estufa ou lixo. Somente uma turbina de vento moderna salvará mais de 4.000 toneladas de emissões de CO2 anualmente.

MITO: Os parques eólicos são barulhentos.

FACTO: A evolução da tecnologia durante a década passada tornou o barulho mecânico emitido pelas turbinas quase imperceptível, sendo o ruído principal o assobio aerodinâmico das pás a passar pela torre. Existem medidas rígidas para cumprimento em relação às emissões de ruído para assegurar a protecção do sossego residencial.

MITO: Os Parques Eólicos são perigosos para os seres humanos.

FACTO: A energia eólica é benigna, sem emissões poluentes e/ou perigosas associadas, nem origina resíduos. Em mais de 25 anos, e com mais de 68.000 turbinas eólicas instaladas por todo o mundo, nenhum membro da sociedade civil foi alguma vez prejudicado por turbinas de vento. Em resposta a acusações não científicas recentes de que as turbinas de vento emitem infra-sons e causam problemas de saúde relacionados com os mesmos, o doutor Geoff Leventhall, consultor em vibrações barulhentas e acústicas e autor do Relatório de Defra sobre o barulho de baixa frequência e seus efeitos, diz: “Posso afirmar bastante categoricamente que não há nenhum infra-som significante nos desenhos actuais de turbinas de vento.”

MITO: A criação de um Parque Eólico consome mais energia do a que produz.

FACTO: Em seis meses uma turbina de vento produz uma quantidade suficiente de electricidade limpa que permite compensar todas das emissões de gás de estufa emitidas aquando da sua construção. Uma turbina de vento moderna é projectada para funcionar durante mais de 20 anos e no fim da sua vida de trabalho a área onde esteve implantada pode ser restaurada a baixos custos financeiros e ambientais.

MITO: Os Parques Eólicos são ineficientes, pois só são operacionais em 30 % do tempo.

FACTO: Uma turbina de vento moderna produz electricidade durante 70-85 % do tempo, mas gera produções diferentes dependendo da velocidade de vento. Ao longo de um ano, gerará aproximadamente 30 % da produção máxima teórica. Isto é conhecido como o factor de carga. O factor de carga de centrais de energia convencionais é em média de 50 %. Uma turbina de vento moderna gerará o suficiente para corresponder às exigências de electricidade de mais de mil casas durante um ano.

MITO: A energia eólica é cara.

FACTO: O preço de gerar electricidade através do vento caiu de forma drástica ao longo dos últimos anos. Entre 1990 e 2002 a capacidade de produzir energia eólica mundial duplicou de três em três anos e a cada duplicação, os custos diminuíram em 15 %. A energia eólica é competitiva com o novo carvão e a nova capacidade de produzir energia nuclear, mesmo antes de quaisquer custos ambientais de combustíveis fósseis e geração nuclear serem tidos em conta. À medida que os preços do petróleo aumentam os preços da energia eólica descem. A energia eólica torna-se ainda mais competitiva, de tal forma que algures depois de 2010 o vento deva desafiar o petróleo enquanto a fonte de energia de mais baixo preço. Além disso, o vento é uma fonte de combustível gratuita e amplamente disponível, por isso assim que um Parque Eólico seja implantado não há quaisquer custos relacionados com combustível ou produção de resíduos.

MITO: Devemos investir noutras tecnologias de energia renovável e eficiência de energia em vez da energia eólica.

FACTO: O papel da energia eólica na luta contra as alterações climáticas não é uma questão radical. Precisaremos de uma mistura de tecnologias de energia renovável, novas e existentes, e medidas de eficiência de energia, e o mais rápido possível. A energia eólica é a fonte de energia renovável disponível mais eficaz ao nível de custos, para gerar electricidade limpa e ajudar a combater as alterações climáticas que afectam o globo terrestre. Além disso, o desenvolvimento de uma indústria eólica forte facilitará outras tecnologias renováveis que não conseguiram ainda a comercialização, acumulando experiências valiosas ao lidar com questões como ligação de grelha, rede de abastecimento e finanças.

Mito: Os Parques Eólicos deviam estar todos no mar.

FACTO: Actualmente o vento terrestre é mais económico do que o seu desenvolvimento no mar alto. Contudo, os Parques Eólicos mais afastados da costa estão agora em construção noutros países. Os Parques Eólicos no alto mar levam mais tempo a serem desenvolvidos e implantados, visto que o mar é um ambiente mais hostil.

O maior parque da Europa situa-se no nosso país na região do Alto Minho:

O Parque Eólico Alto Minho encontra-se em 13º lugar entre os 20 maiores Parques Eólicos do Mundo.

O Parque Eólico de Alto Minho é constituído por 120 aerogeradores (modelo Enercon), o novo parque tem uma capacidade instalada de 240 MW, estando prevista uma produção anual de 530 GW/h.

O empreendimento conta com 120 aerogeradores com capacidade de 2 MW cada, o que totaliza uma potência de 240 megawatts distribuídos por 5 subparques   (38 em Picoto – São Silvestre, 52 em Mendoiro – Bustavade, 32 em Santo António, 66 em Alto de Corisco e 52 em Picos).

A grande maioria dos grandes Parques Eólicos encontra-se nas encostas dos Estados Unidos da América.

Em jeito de conclusão devemos relembrar um velho ditado:

“NÃO DEIXES PARA AMANHÃ O QUE PODES FAZER HOJE”

2 comentários

  1. José Manuel N. Silva

    Alguns esclarecimentos sobre a energia eólica

    Esta energia é explorável em diversas regiões do nosso país, que foram estudadas pelo facto de terem ventos mais fortes e regulares, como as regiões montanhosas, que permitem um aproveitamento mais equilibrado deste recurso renovável.
    Face à forte eventualidade de poder vir a ser instalado um Parque Eólico na cumeada da Serra da Gardunha – limite norte da freguesia de Vale de Prazeres – cumpre esclarecer alguns pontos:
    1) Em Portugal todos os projectos de instalação de Parques Eólicos são obrigatoriamente sujeitos a Estudos de Avaliação de Impacte Ambiental, logo a componente ambiental NUNCA é descurada na óptica de uma correcta e devida preservação dos recursos naturais endógenos e locais;
    2) Parece importante chamar a atenção para o facto de os efeitos da implantação deste tipo de projectos, particularmente os negativos, se fazerem sentir principalmente durante a construção. Entre as actividades consideradas nesta fase como capazes de causar alterações no ambiente, destacam-se as seguintes:
    2.1 – Trabalhos de escavações nos acessos, nas valas de cabos de transporte de energia e nas fundações dos aerogeradores e das subestações;
    2.2 – Transporte de materiais da escavação para o local de depósito, após reutilização de parte nos pavimentos dos acessos e na regularização de uma ou outra plataforma de montagem;
    2.3 – Transporte de materiais de construção, principalmente betão, dos aerogeradores e de outros equipamentos;
    2.4 – Trabalhos de construção e de montagem dos equipamentos.
    3) O impacte causado pela construção do Parque Eólico sobre a flora e vegetação é relativamente pequeno, pois a área onde se prevê a implantação do mesmo não inclui valores botânicos que, pela sua originalidade e/ou raridade, ponham em causa a sua concretização;
    4) No que diz respeito à preservação dos valores naturais, a sinalização prévia de todos os elementos identificados previamente à execução das obras reveste-se de especial importância, contribuindo significativamente para que estes não sejam afectados, e consequentemente sejam minimizados os efeitos negativos do projecto;
    5) Relativamente a impactes sobre a fauna, estes serão mais elevados sobre as aves migratórias, sendo que importa referir que não é conhecido nenhum corredor migratório sobre a área prevista para a implantação do Parque Eólico. Os restantes animais, segundo mostra a experiencia, adaptam-se, acostumando-se ao ruído e presença do aerogerador. Relativamente aos eventuais acidentes de colisão com o aerogerador, estes, segundo os vários estudos que se têm feito sobre Parques Eólicos relativamente às aves e morcegos, são em número muito reduzido, apesar de ocorrerem com maior incidência no grupo dos morcegos;
    6) Em relação ao ruído, começa-se por relembrar que a área destinada à implantação do projecto do Parque Eólico localiza-se na cumeada da Serra da Gardunha, que é uma zona isolada, sem habitações, estando as zonas cobertas de vegetação arbustiva e arbórea. As povoações mais próximas do local são Vale de Prazeres, Cortiçada, Monte Leal e Alcaide, sendo que estas localidades são de reduzida dimensão e encontram-se na base das encostas da Serra, pelo que afastadas das áreas de implantação do projecto. Durante a construção do Parque Eólico é de esperar um aumento de ruído devido às obras, nomeadamente na utilização de máquinas, equipamentos e veículos pesados em operações de escavação, terraplanagem, aplicação de betão ou simples transporte de materiais. Quanto ao funcionamento dos aerogeradores, o valor do nível de ruído emitido por uma só máquina, a cerca de 50 metros de distância é cerca de 55 decibéis. Este valor, a cerca de 400 metros, reduz-se para 36 decibéis. Note-se que para que os aerogeradores entrem em funcionamento é necessário que exista algum vento, situação em que o ruído ambiente tende a sobrepor-se ao ruído provocado pelo funcionamento daqueles. Nas povoações mais próximas qualquer umas delas a uma distância considerável, em linha recta da máquina mais próxima, os níveis de ruído serão sempre inferiores a 39 decibéis. Como curiosidade, o nível de ruído registado a cerca de 50 metros do aerogerador é praticamente igual ao ruído emitido por um grupo de pessoas a conversar!
    7) No que respeita aos impactes visuais do projecto durante o seu funcionamento, começa por esclarecer-se que, à partida, não se considera negativo ver-se um Parque Eólico. As máquinas utilizadas são peças esteticamente interessantes e agradáveis, que trazem à memória os antigos moinhos de vento que existiam nos cimos da paisagem rural. É claro que este será sempre um elemento de apreciação dependente dos gostos e formação de cada pessoa. O que se considera um efeito visual negativo do Parque Eólico é a ocorrência de situações que levem a uma sensação de esmagamento visual de quem observa ou em que a linha do horizonte fique repleta de elementos estranhos, alterando de forma negativa o espaço que a vista abrange, por este estar demasiado obstruído, impedindo o desafogo de vistas.
    Face ao exposto é no mínimo curioso que um projecto destinado a produzir energia limpa, sem problemas de poluição e que utiliza a brisa como combustível – constituindo um símbolo ecológico por excelência – seja alvo de conflitos ambientais.
    Apenas mentes mais retrógradas e agarradas a uma pseudo-sabedoria adquirida nos manuais da eterna politica do contra – muitas das vezes com perfeita noção de estarem a defender, desde o inicio, causas perdidas – com a qual argumentam e fundamentam sem o mínimo conhecimento de causa, poderão colocar em causa projectos do género, que têm como principal objectivo reduzir a dependência doentia de energias não renováveis e ao mesmo tempo inimigas do meio ambiente.
    O futuro não se faz olhando para trás, mas sim de atitudes fundamentadas por juízos correctos e actualizados, que permitam um desenvolvimento sustentável com base nos constantes avanços tecnológicos. Se existe uma parte da ciência que trabalha em defesa do meio ambiente porquê agarrar-se à bengala que sustenta a ciência destrutiva do mesmo?

    1. João Magala

      Resistência ás ventoinhas GIGANTES em cada monte de Portugal.

      O sucesso da energia eólica nos países como Alemanha ou Dinamarca é merecedora de um debate sério, já que nenhum destes países conseguiu reduzir a utilização de outras fontes energéticas ou a emissão dos gases de efeito estufa em consequência da utilização da energia eólica.
      É uma espécie de conforto espiritual crer que existe uma fonte de electricidade benigna que serve para remediar os nossos problemas energéticos.
      A grande dimensão das turbinas eólicas industriais tornou-as poderosos ícones, em termos de simbologia de desenvolvimento, no imaginário popular. Os grupos ambientalistas encontram-se assim entalados numa posição pouco agradável de, por um lado terem que apoiar nesta matéria os governos e por outro apoiarem a indústria de energia eólica (geralmente grandes oligopólios energéticos), sublimando assim as “inverdades” da energia eólica.
      Num estudo elaborado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) afirma-se que os impactes que mais têm interessado o público em geral são a perturbação e o efeito de barreira causados pelos aerogeradores sobre as diversas espécies de aves e a mortalidade destas e de morcegos, devido à colisão com as pás e outras estruturas associadas. Assim, por exemplo, no parque eólico de Fonte dos Monteiros (Vila do Bispo) foi estimada uma mortalidade de 55,77 – 94,56 aves/ano.
      Jochen Flasbarth, do Ministério do Ambiente alemão e antigo presidente da organização ambientalista NABU (Naturschutzbund Deutschland e.V). chamou por diversas vezes à atenção do problema da conflitualidade emergente entre a energia eólica e a protecção da natureza, particularmente nos aspectos de estética paisagística e da protecção das aves.

      Assim Vale de Prazeres, que já sofre nos seus céus o efeito geométrico e perturbador da passagem dos aviões a jacto, pode também juntar à sua paisagem natural da Serra da Gardunha um parque eólico. Teremos de mudar o nome à terra.
      O futuro não se fazendo olhando para trás, mas sim somente de atitudes fundamentadas por juízos correctos e actualizados como alguém disse, revela-se bastante preocupante para a região e país.

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